É difícil ser torcedor do Vitória hoje em dia

É, caro torcedor rubro negro, a coisa tá feia. Estamos em meados de Julho e a realidade é que o Vitória está trocando pneu com o carro andando. Convenhamos, nada muito diferente do que estamos acostumados a ver nos últimos anos. Sempre é a mesma ladainha: o Campeonato Baiano ganha status de Libertadores, contratações de jogadores com qualidade técnica e condições físicas duvidosas, eliminações vexatórias na Copa do Brasil/Copa do Nordeste e sufoco no Campeonato Brasileiro. Parece um carma com raras exceções, como em 2013. Jogadores que não são mais aproveitados no Sul chegam aqui como salvadores da pátria e salários bem interessantes para um clube que prega prudência financeira. Pouca ou nenhuma democracia entre as paredes do Barradão, dificultando o acesso do torcedor às decisões políticas (isso aparentemente está mudando). Enfim, toda essa história estamos cansados de saber.

Mas não é a isso que eu quero me apegar nesta coluna. Nem às atuações patéticas do Vitória nos últimos jogos. Não vou falar da humilhante goleada sofrida em pleno Barradão contra um time alternativo do Vasco. Nem do jogo contra o Palmeiras em que, mesmo a arbitragem tendo dado aquela ajudinha camarada para os paulistas, foram 4 bolas que Fernando Miguel foi buscar no fundo das redes. De novo. A gente já sabe disso.

Vou falar do torcedor do Vitória, como torcedor do Vitória. Não sei você, mas para mim o “fantasma do rebaixamento” já tem carne e osso e está perto de ganhar vida. São 14 rodadas e apenas 3 vitórias. Ter conquistado somente 12 dos 42 pontos possíveis realmente não anima ninguém. Com que motivação iremos ao Barradão na quarta (contra o Grêmio) e no sábado (contra a Chapecoense)? O torcedor do Vitória está cansado de ser chacota nacional. De rirem da nossa cara a cada decisão equivocada dentro e fora de campo. Mas isso cansa menos do que a desilusão.

Fomos enganados, torcedor rubro negro. Nos tapearam e venderam pra nós um sonho de “modernidade”, da “vez do torcedor” e de menos canguinhagem na hora de reforçar o time. Nos fizeram acreditar que existia um planejamento sério, com pessoas competentes e que sabiam o que estavam fazendo. Mentiram pra nós. O ciclo maldito se repete, e aqui estamos nós outra vez, lutando contra o rebaixamento. Tá cedo nada. O sinal de alerta é mais vermelho que o vermelho do nosso manto.

 

 

“Amor que não tem divisão”. Mantra que nos persegue.
FOTO: Reprodução/Veja.

 

Infelizmente, só temos a fé para nos apegar. A esperança vazia de que as coisas vão melhorar. A mística do Barradão não está funcionando, os reforços de última hora não inspiram confiança, continuamos sem lateral esquerdo, somente com um zagueiro digno de confiança e um meio campo sem criatividade. Paciência. Nem eu, nem nenhum torcedor que é Vitória de coração quer sofrer o mesmo que no ano passado. Em que a gente sabia que o ataque dava conta enquanto a defesa colaborasse (o que era incerto). De esperar até a última rodada. Só que esse ano não temos mais Marinho para pegar a bola, driblar 3 ou 4 e fazer o gol. Só temos a esperança. A esperança é a última que morre, e no nosso caso, é a única que sobrevive.

Que os deuses do futebol nos ajudem. Porque tá difícil.

Por Ítalo Santanna.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 588 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e repórter do Esporte Clube Vitória.

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