Edigar artilheiro, Allione garçom e torcida forte: o Bahia em 2017

Artilharia, assistências, aproveitamento, média de público: confira um balanço, em números, do que foi o Bahia em 2017. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

O tricolor fez sua última partida de 2017 no último domingo. O aproveitamento geral na temporada é de 55%

Uma montanha russa de emoções: eis um bom adjetivo para o que foi o ano de 2017 para o Bahia. O clube iniciou o ano eufórico e cheio de expectativas para aquela que seria a temporada de retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. Logo no início, trouxe uma série de incertezas com as contratações. A apreensão da torcida decorreu, muito mais, dos nomes -supostamente- de peso que o Vitória trazia do que, necessariamente, com as novas peças do time. Também foi um período de experimentação, já que o clube testou a ideia de utilizar dois times no início do ano: um para o Campeonato Baiano, com exceção aos clássicos e finais, outro para a Copa do Nordeste. A ideia foi bancada pelo presidente Marcelo Sant’Ana e foi a grande novidade do seu último ano de gestão. No final das contas o Bahia acabou com o vice-campeonato baiano, perdendo a final para o seu maior rival, e com o título do Nordeste, onde o embate final foi contra outro tradicional rubro-negro: o Sport. O bônus de deixar para o Vitória pelo caminho na fase anterior trouxe um sabor especial para a conquista, principalmente por conta dos bastidores quentíssimos daquela semifinal.

Quase esquecida, muito devido à eliminação precoce, a Copa do Brasil também foi disputada pelo Bahia durante os seis primeiros meses do ano. O tricolor saiu tão rápido quanto entrou: no dia 8 de março foi visitar o Paraná no Durival de Britto e saiu com um revés por 2×0. Resultado mais do que suficiente para eliminar o Bahia da competição que era citada como uma das prioridades do time para a temporada. A conta do primeiro semestre do Bahia foi a seguinte:

O contestado “Gustagol” foi o artilheiro do Bahia no Campeonato Baiano. No total, fez 5 gols. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

CAMPEONATO BAIANO:

57% 

8 triunfos – 5 empates – 1 derrota

Gols marcados: 24 | Gols sofridos: 5

Artilheiro: Gustavo – 5 Gols

Artilheiro do Bahia na Copa do Nordeste, o primeiro semestre foi “dos sonhos” para Régis. O meia acabou como melhor jogador da competição e também levou o título individual no Campeonato Baiano. Foto: Raul Spinassé l Ag. A TARDE

COPA DO NORDESTE:

75% 

8 triunfos – 3 empates – 1 derrota

Gols marcados: 23 | Gols sofridos: 4

Artilheiro: Régis – 6 Gols | Garçom: Allione – 5 assistências

A grande decepção do tricolor no primeiro semestre foi a Copa do Brasil. A competição era tratada como prioridade para o time, mas o Esquadrão acabou eliminado logo na sua partida de estreia, contra o Paraná. Foto: Reprodução

COPA DO BRASIL:

0% 

1 derrota

Gols marcados: 0 | Gols sofridos: 2

O segundo semestre do Bahia foi marcado pela Série A. Durante as primeiras rodadas do certame, o tricolor intercalou a competição nacional com as partidas finais da Copa do Nordeste. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Não se pode dizer de forma literal que o Bahia começou a disputar o Campeonato Brasileiro inteiramente focado no certame. Isso porque as finais da Copa do Nordeste se intercalaram entre as duas primeiras rodadas do Brasileirão, ocasiões que o Bahia enfrentou o Atlético-PR em partida que marcou o retorno do clube à primeira divisão e o Vasco. Na estreia, o Bahia goleou os paranaenses pelo resultado de 6×2; na segunda partida, visitou o Vasco e saiu derrotado por 2×1.

O desempenho do Bahia durante a Série A foi marcado por uma perigosa irregularidade. O clube sofreu com lesões e trocas de comando: só durante a Série A foram três, no total. Guto Ferreira saiu para o Internacional e deixou a vaga para Jorginho, que saiu do clube com o pífio aproveitamento de 37% em seus dois meses com o boné tricolor. A partir da demissão de Jorginho, veio a efetivação de Preto. Este também não agradou e deixou o comando do clube para a chegada de Paulo Cézar Carpegiani, que livrou o Bahia do risco de rebaixamento e chegou a sonhar com Libertadores, perdendo a vaga, principalmente, pelo fraco desempenho nas últimas três partidas do campeonato, onde o Bahia somou apenas um ponto dentre os nove possíveis. No final das contas, o tricolor surpreendeu e ainda que não tenha beliscado uma vaga na maior competição das Américas, beliscou uma vaga na Sulamericana.

É importante salientar a oscilação do clube durante as trinta e oito partidas da Série A do Brasileirão. A estabilização veio junto com a chegada de Carpegiani ao comando técnico do clube. Quando Carpé chegou ao Bahia, o time estava na 13ª posição com apenas um ponto acima do Sport, equipe que inaugurava a zona de rebaixamento àquela altura. A estreia do treinador de 68 anos foi na partida contra o Palmeiras, pela 27ª rodada, quando certame já estava a onze partidas do seu final. Naquela ocasião o Bahia arrancou um heroico empate em 2×2 e por pouco não abocanhou uma vitória em pleno Pacaembu. A chegada de Carpegiani também foi acompanhada de crescente de jogadores como Allione, Mendoza e, principalmente, Edigar Junio: o atacante ficou afastado por lesão e voltou aos gramados justamente na estreia de Carpé. Até então tinha apenas dois gols marcados, mas dali para a frente desandou a balançar as redes e acabou o campeonato como artilheiro do Bahia, somando 12 gols. Edigar ficou na quarta colocação entre os artilheiros do campeonato com 6 gols a menos que os artilheiros Jô, do Corinthians, e Henrique Dourado, do Fluminense.

Os cinquenta pontos somados pelo Bahia durante o Brasileirão fizeram o time acabar o certame na 12ª posição. A pontuação foi a maior do time desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado no formato de pontos corridos.

CAMPEONATO BRASILEIRO:

43,9% 

13 triunfos – 11 empates – 14 derrotas

Gols marcados: 50 | Gols sofridos: 48

Artilheiro: Edigar Junio – 15 Gols | Garçom: Allione – 7 assistências

A torcida do Bahia foi ponto de destaque do time em 2017. O clube foi líder nas médias de público da Copa do Nordeste e Campeonato Baiano, além de terminar o Brasileirão com a quarta maior média do campeonato. Foto: Caíque Bouzas

A Fonte Nova foi outro ponto de destaque do Bahia em 2017. Mais do que isso: a torcida fez bonito e esteve presente com o clube durante toda a temporada. A torcida tricolor foi responsável por liderar os números de média de público na Copa do Nordeste, com média de 16.877, e no Campeonato Baiano, onde teve em média 12.358 por partida. No Campeonato Brasileiro, o tricolor ficou com a quarta colocação e média de 21.540 torcedores. O tricolor ficou atrás de Corinthians, São Paulo e Palmeiras, respectivamente. As taxas de ocupação do estádio ainda são baixas: entre Brasileiro, Nordeste e Baiano os números foram de 43%, 35% e 29%, respectivamente. O valor de ingresso médio durante o ano foi de R$25.

A TORCIDA TRICOLOR: CAMPEONATO BAIANO

29% de OCUPAÇÃO | 12.358 de MÉDIA |

MAIOR MÉDIA DO CAMPEONATO

No campo: 85% de APROVEITAMENTO

7 jogos em casa | 4 na Fonte Nova | 3 no Pituaçu

Pituaçu foi a casa do Bahia por 5 jogos durante 2017. O Campeonato Baiano foi a competição por onde o tricolor mais jogou pela antiga casa: foram 3 partidas e o tricolor saiu com 100% de aproveitamento. Além disso, também jogou e venceu peleja contra o Moto Club, pela Copa do Nordeste; e contra o Avaí, pelo Brasileirão, em partida que acabou empatada em 1-1. Saldo final no “Pituaço”: 4 triunfos e 1 empate. Foto: Reprodução/Twitter Oficial do Bahia

A TORCIDA TRICOLOR: COPA DO NORDESTE

35% de OCUPAÇÃO | 16.877 de MÉDIA |

MAIOR MÉDIA DO CAMPEONATO

No campo: 100% de APROVEITAMENTO

7 jogos em casa | 4 na Fonte Nova | 3 no Pituaçu

A torcida fez espetáculo dentro e fora do estádio. O ponto alto foi durante a Copa do Nordeste, quando os jogadores desceram do ônibus e foram andando no meio do povo antes de entrar no estádio para enfrentar o Vitória pela semifinal da competição. Naquela ocasião, 34.599 torcedores empurraram o Bahia rumo à final do Nordestão. Foto: Caíque Bouzas

A TORCIDA TRICOLOR: CAMPEONATO BRASILEIRO

43% de OCUPAÇÃO | 21.540 de MÉDIA |

4º MAIOR MÉDIA DO CAMPEONATO

No campo: 59% de APROVEITAMENTO

19 jogos em casa | 18 na Fonte Nova | 1 no Pituaçu

Edigar foi responsável por 15% dos gols feitos pelo Bahia em 2017. Somando 15 gols durante o ano, o atacante foi o artilheiro do Bahia no ano. A arrancada do camisa 11 na reta final do Brasileirão foi determinante para o Bahia largar a briga pelo rebaixamento e sonhar mais alto. Foto: Marcelo Malaquias/EC Bahia

ABRA SUA ZAGA

ARTILHEIRO: Edigar Junio | 15 gols

Régis | 13 gols | Mendoza | 8 gols | Hernane | 7 gols

Gustavo (06), Diego Rosa, Juninho, Renê Júnior e Rodrigão e Zé Rafael (05), Edson (04), Allione, João Paulo, Tiago e Vinicius (03), Eder (02), Ferrareis, Kaynan, Lucas Fonseca, Mário e Matheus Reis (01)

O Bahia buscou de forma árdua por um artilheiro. A lesão de Hernane, que não começou bem a temporada (e também não terminou), na primeira partida da semifinal da Copa do Nordeste deixou uma lacuna no time: e foi prontamente preenchida por Edigar Junio. O camisa 11 não marcou no jogo de volta, mas se tornou uma peça importante para a nova cara do time que, à época, era comandado por Guto Ferreira. Sem Hernane, o Bahia passou a jogar sem referência e apostando na velocidade dos seus quatro homens de frente: Allione, Régis, Zé Rafael e Edigar. Deu certo: o Bahia conquistou a Copa do Nordeste graças a um golaço de Edigar Junio, que recebeu um lindo passe de Armero e tocou por cima na saída de Magrão.

Contudo, no decorrer da temporada o histórico de lesões do atacante voltou a se manifestar na décima rodada do campeonato Brasileiro, partida que o Bahia perder para o Flamengo, e ele ficou 13 partidas sem jogar. Durante esse período o Bahia tentou Rodrigão, João Paulo e Vinícius, meia que chegou a atuar como falso 9 sob o comando de Jorginho. Rodrigão foi o que chegou mais perto de cair nas graças da torcida: marcou gols em seus primeiros jogos mas problemas com balança e extracampo culminaram na dispensa do centroavante, que retornou ao Santos, seu clube de origem.

Edigar só voltou aos gramados na partida contra o Atlético-GO, já no segundo turno, quando atuou por menos de 45 minutos: situação semelhante à partida seguinte, contra o Cruzeiro. A titularidade só voltou para o colo de Edigar no confronto frente ao Palmeiras, na 27ª rodada, já sob o comando de Paulo Cézar Carpegiani: e a partir daí o camisa 11 desandou a fazer gol. Nas últimas dez partidas do Bahia, o atacante marcou 10 gols, média de um por partida, e acabou o ano como artilheiro isolado do Bahia no ano.

O jovem argentino chegou ao Bahia no início do ano, vindo de empréstimo junto ao Palmeiras. Após um início de temporada excelente, Allione oscilou durante o Brasileiro e cresceu de novo com a chegada de Carpegiani, que passou a utilizá-lo como meia centralizado. Durante 2017 deu foi responsável por 12 assistências e retornará ao clube de origem como um dos maiores garçons do futebol brasileiro. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

“GARÇOM… AQUI…”

GARÇOM: ALLIONE | 12 assistências

Régis | 9 assistências | Juninho e Zé Rafael | 6 assistências

Edson e Mendoza (04), Edigar Junio, Eduardo e Hernane (03), Armero, Diego Rosa, Eder, Gustavo, João Paulo, Lucas Fonseca e Rodrigão (02), Juninho Capixaba, Matheus Reis, Matheus Sales, Renê Júnior e Vinicius (01).

Augustín Lionel Allione chegou ao Bahia por empréstimo logo no começo da temporada. O meia argentino não conseguiu se firmar no Palmeiras, seu clube de origem e que defendeu durante as temporadas de 2014, 2015 e 2016, e como o clube paulista montou um elenco grande e cheio de nomes fortes, o jovem de 21 anos perdeu espaço e foi negociado com o tricolor. Durante o ano, ele mostrou que não tem apenas nome de craque e foi um dos principais jogadores do time: quando estava afim de jogar.

Fundamental em momentos decisivos durante o ano, Allione também ficou marcado por oscilar bastante, além de sofrer com algumas lesões no decorrer da temporada. Fez um excelente primeiro semestre e foi destaque na campanha do título do Nordestão, onde foi o garçom do time com cinco assistências e marcou gols decisivos, como o golaço na semifinal contra o Vitória. Durante o Brasileiro, perdeu a titularidade com a chegada de Jorginho e só recuperou com a chegada de Carpegiani, que tirou o jogar da ponta e o colocou como meia centralizado, componho a segunda linha de meio-campo com Mendoza e Zé Rafael. A partir dessa mudança de posição, ele subiu de produção e acabou como o garçom do time também no  Brasileirão: sete assistências e fechou o ano com doze, três a mais que Régis, o segundo colocado no quesito.

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 73 Artigos
Estudante de Comunicação (UFBA). Colunista e repórter da Juazeirense e Fluminense de Feira.

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