Jean goleiro da seleção na Copa e profissional seguindo no Fazendão. Confira entrevista de Fernando Jorge, candidato à presidência do Bahia

Foto: Glenda Sena

No próximo dia 9 de dezembro o Bahia passará por sua terceira eleição direta. Desde 2014, quando o clube passou por intervenção judicial que culminou com a deposição do presidente Marcelo Guimarães Filho, o clube se tornou democrático e tem sua diretoria executiva e conselho deliberativo escolhidos por sócios ativos através do voto direto. De lá pra cá, o Bahia foi presidido por Fernando Schmidt, que foi eleito para mandato-tampão com duração de cerca de seis meses; e por Marcelo Sant’Ana, que se consagrou vencedor da eleição para o primeiro triênio do clube pós-democracia. A primeira eleição aconteceu em 2013 e, após cumprir mandato de pouco mais de um ano, aconteceu a primeira grande eleição do clube no final de 2014.

Cinco chapas se inscrevem para o pleito executivo, que elege presidente e vice-presidente, deste ano. Os chamados “cabeças de chapa” são Abílio Freire, Binha de São Caetano, Fernando Jorge, Guilherme Bellintani e Nelsival Menezes. Apoiados por Virgílio Elísio, Zé Tricolor, Antônio Tillemont, Vitor Ferraz e Walisson Silva, respectivamente.

Nos próximos dias, o Resenha na Rede trará uma série de entrevistas para o público. O entrevistado da vez é Fernando Jorge, candidato a presidente pela chapa Voltar a Sorrir, de número 33. Empresário e graduado em Engenharia Civil, o presidenciável tem 66 anos e um histórico diretamente ligado à política do Bahia: em 1972 foi membro do Conselho Deliberativo pela primeira vez. Também já concorreu à presidência do clube por duas vezes, em 2005 e 2008, ambas como opositor de Marcelo Guimarães Filho. Fazia parte do grupo que entrou com o pedido de intervenção judicial do clube, em 2013 e foi presidente do Conselho Deliberativo na última gestão de Fernando Schmidt. O candidato à vice-presidência é o empresário e radialista Antônio Tillemont. Confira abaixo a entrevista:

Processo de intervenção no Bahia:

“O Bahia hoje está muito melhor, o processo da intervenção trouxe ao clube melhorias, de Schmidt a Marcelo Santana, o clube é outro. Hoje o clube tem acompanhamento de controle, de todas as atividades do clube. Quando Schmidt entrou, se tentou fazer uma auditoria profissional, mas não se conseguia ter acesso a nada, porque não havia arquivo de nada. Não gosto de falar de herança maldita, mas o clube passa por uma situação administrativa e financeira dificílima.”

“Nós perdemos o Ypiranga, o Galícia, Leônico, Guarani, tantos clubes daqui de Salvador, por más administrações e por gestões que não se modernizavam: tinham que virar empresa e não viravam. O Bahia chegou a ter dono, eterno presidente. Mas o clube é da torcida, o Esporte Clube Bahia é de 1931 e isso tem que ser respeitado.”

Nação tricolor não vira nação de sócios

“Porque a bola não está entrando. No dia que a gente for campeão, tiver maior qualidade na contratação, maior sorte no jogo, tudo muda. Para isso a gente precisa pesquisar, não há qualquer pesquisa que saiba o que o torcedor do Bahia quer, eu pergunto: – Quem foi que determinou uma mensalidade de R$40,00 como correta? É empírico, não se tem um motivo.”

“Eu quero saber o que o torcedor almeja para virar sócio. Depois eu quero saber o que o sócio quer que o clube lhe dê. Saber o que o clube pode dar para o seu sócio. Pode ser que a mensalidade seja de R$1000,00, RS100,00; os mesmos R$40,00, R$20,00, mas a pesquisa que tem que dizer.”

“Acho extremamente errado que hoje exista sócio-torcedor sem direito a voto. O que lutei e conseguir, junto com vários torcedores foi democratizar o clube, até aceito que a democracia é jovem e tem que ser aperfeiçoada, mas o sócio do clube tem que ter direito a voto.”

“O torcedor do Bahia é extremamente fanático, você não sabe os depoimentos que tenho ouvido no interior do Estado. Você chega em Conquista e todo mundo é Vasco, Botafogo, Flamengo, Corinthians e não é Bahia porque o clube não chega lá. Não tem uma loja oficial, não tem um local para comprar ingresso, não tem uma escolinha do clube, não tem nada. Tem fanáticos pelo Bahia, que são capazes de fretar um ônibus para assistir um jogo e têm dificuldade até mesmo para comprar um ingresso, precisam utilizar familiares que moram em Salvador para comprar ingresso e a Arena só vende quatro por pessoa.”

Foto: Glenda Sena

Dificuldade para montar elenco do time em dezembro

“Acho madrasta a data da eleição para qualquer um que venha a se eleger, porque você não vai fazer o planejamento. O único candidato que consegue fazer um planejamento é o candidato da situação, porque ele tem acesso a tudo. Quis ter acesso algumas coisas e não consegui, acesso até mesmo físico, fui à Cidade Tricolor e não pude ter acesso.  Não sei quem vai ser vendido, os contratos que vão vencer, qual a base de jogadores que vou encontrar.”

“Acho que se estão vendendo jogadores é por necessidade, visto que, o clube tomou empréstimo de 8,5 milhões e para fechar o ano precisa 2,5 milhões para fechar o planejamento em 31 de dezembro de 2017. Para buscar esse recurso, o clube precisa negociar o seu principal ativo que são os jogadores.”

“Acho que o goleiro Jean já está vendido e deve ser. Um garoto que nos deu muita alegria esse ano, muito novo. Confesso que fui um dos que não acreditava no desempenho que ele teve esse ano e ele deve ir para um sonho mais alto, com o Bahia ficando com uma porcentagem. Acredito que ele vai para o exterior depois de ir bem para o São Paulo. Acredito que vai ser o terceiro goleiro de Tite na Copa do Mundo, talvez aqui no Bahia não fosse. Então, não podemos atrapalhar o crescimento de um atleta e se ele for ser vendido por esses valores que estão falando, deve vender.”

“Quanto aos outros, Renê Junior que é o símbolo da raça; Zé Rafael… não sei. Tenho que me eleger, tomar posse e ficar ciente de tudo. Mas estamos trabalhando, juntamente com Antônio Tillemont, que possui 40 anos no esporte como radialista e empresário. Junto comigo, que iniciei minha vida nos gramados, depois me tornei dirigente, conselheiro, passei a presidir esse conselho e possuo um título de sócio benemérito que muito me honra. Acredito que estou preparado para ser presidente do Bahia.”

O desafio de presidir o Bahia

“A primeira vez realmente que pleiteio. Fui candidato em 2016, quando era impossível se eleger, por haver um colégio eleitoral viciado e dirigido para o candidato que eles queriam. Em 2008 optei pela justiça, que deu esse processo todo que foi a intervenção. Poderia ter pleiteado em 2013 a interinidade de Schimidt, mas achei que não tinha a representatividade institucional que Fernando Schimidt tinha por ser advogado e secretário de Estado, poderia ele nos ajudar na manutenção da intervenção. No mandato de Marcelo Santana acreditei não ser o momento, tinha problemas familiares e profissionais. Hoje acredito estar pronto, totalmente preparado, com a experiência necessária e junto com Tilemont presidir o Bahia por três anos.”

Cidade Tricolor

“Viabilizar a cidade tricolor no estado de deterioração que ele se encontra hoje é um problema. Tem problemas de construção, perda dos gramados e precisa de um investimento que acredito que o Bahia não tem condições. Como presidente garanto que não vou alienar, vamos atrás de recursos para arranjar as condições que a Cidade Tricolor se torne um centro social e centro de formação de jogadores da base do clube.”

“Um equipamento que se encontra em Dias D´Avila, próximo a Camaçari, São Francisco do Conde, poderia ser realizada uma parceria junto com o poder público, na qual eles fariam da cidade tricolor um centro social com escola, policlínicas, cursos profissionalizantes, atendendo às carências da população. Daí poderia haver uma permuta com Pituaçu, local que o governo tem subutilizado. A gente transferiria nossos profissionais e a área de administração central do clube para uma área de maior facilidade de acesso, facilitando o deslocamento dos profissionais.”

“Acho impossível que a Cidade Tricolor venha a receber o elenco profissional do Bahia. Como é que o ônibus do Bahia sairá de Dias D´Avila, nessa loucura que é o tráfego de Salvador, para vir jogar na Arena Fonte Nova, às 18h?!”

DIVISÃO DE BASE

“Tem que haver uma mudança radical, com planejamento de competência em relação a quem vai gerir essa divisão de base. Tenho o pensamento de que devemos dividir a coordenação financeira da base com uma pessoa da área que reportará ao diretor financeiro administrativo do clube e um coordenador de futebol da base, que se reportará ao executivo de futebol do clube. Haverá assim uma identificação de filosofia e de jogo, a base é tão importante quanto o elenco profissional, mas para isso tem que ter pessoas com competência para tal.”

“Todos que foram aproveitados no elenco profissional neste ano, são jogadores ainda da época de Newton Motta, pessoas que vem de sete ou oito anos na base. O próprio goleiro Jean, o lateral Capixaba, o Rodrigo, o Éder, todos eles são oriundos de outra época.”

Considerações finais

“A chapa Fernando Jorge e Tillemont tem o número 33. Preciso muito do voto no conselho, porque não se administra sem um conselho que nos ajude, 133 e 333. Fernando  Jorge e Tillemont, são os que tem mais experiências juntos para colocar o Bahia no devido lugar.

O Bahia hoje tem uma melhoria significativa, fiz um convite ao próprio Marcelos Barros para continuar na diretoria financeira do clube, vamos fazer uma mudança colocando uma diretoria de planejamento e negócio, temos o profissional da área para isso e a gerência de marketing ficará incorporada. Vamos valorizar a marca, melhorar as condições do profissional e da base.”

“Não tem ninguém mais experimentado do que eu e Tillemont. Estou pronto, experiente, na idade para ser presidente do Bahia, tenho condição física e peço ao sócio para, no dia 9, nos dar essa chance. Existe alguém mais avaliado e comprovado do que nós dois? Por tudo que fizemos ao Bahia e ao esporte baiano, não tem. Os outros podem esperar, eles tem idade para esperar. Nunca briguei para ser presidente do Bahia e nunca fui do poder, pelo poder, hoje é uma briga para se manter o poder. Schimidt é do mesmo grupo de Marcelo, Bellintani é do mesmo grupo e eu não posso ter esse direito? Não tenho tido o mesmo tratamento, o mesmo espaço na mídia. Isso que quero passar ao torcedor, vejam a história de Fernando Jorge e de Antônio Tillemont, a experiência deles, sou até romântico em dizer: Não tenho filiação partidária, não tenho ambição política, quero retribuir a alegria que o Bahia me deu e morrer satisfeito dizendo que ajudei meu clube de coração, assim como Tillemont. Nós estamos prontos para colocar o Bahia no lugar que nunca deveria ter saído, campeão baiano, brasileiro e de todos os lugares, ficou parecendo até Binha.”

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 455 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e repórter do Esporte Clube Vitória.

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