Sejamos justos com Jean

Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015, estádio do Barretão, em Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte. O Bahia sofreu durante boa parte do primeiro tempo e virou o primeiro tempo perdendo por 1×0 com gol de Glaubinho em um chute cruzado já por volta dos 45 minutos da etapa inicial. O adversário era o Globo e a partida acontecia pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste daquele ano. O goleiro titular era Omar, que finalmente teria uma oportunidade de sequência como dono da camisa 1 após sete anos de clube. O destino foi cruel com o bom goleiro, que se machucou logo no início do jogo e resistiu às dores apenas até o fim do primeiro tempo. Jeanzinho, que começou a temporada como quarto goleiro, faria sua estreia como profissional. A entrada do então garoto de 19 anos trouxe sorte ao Bahia, que mesmo jogando mal conseguiu virar o jogo com dois gols relâmpago de Maxi Biancucchi, que também saiu do banco.

Jean foi ficando, ficando, teve seu ponto alto naquele ano justamente em um BaVi que acabou empatado em 0x0. Muito devido às atuações de Fernando Miguel, do lado rubro-negro, e de Jeanzinho do lado azul, vermelho e branco. O escriba que aqui se retrata “viu gol”, como diz o jargão, naquela falta cobrada por Jorge Wagner e muito bem defendida por Jean na segunda etapa.

Jean seguia ganhando confiança e foi convocado para o Mundial sub-20 daquele ano. Apesar de algumas falhas, Jean foi tão seguro quanto titular daquela equipe e chegou com os garotos até a final do certame, onde a seleção foi derrotada pela Sérvia. Voltou para o Bahia, onde já era dono da camisa 1, justamente na final da Copa do Nordeste, contra o Ceará. A torcida comemorava a volta do seu aspirante a paredão, principalmente diante das falhas de Douglas Pires naquela semifinal cardíaca contra o Sport, na Fonte Nova.

Jean retornou, mas não como o esperado. Falhou no gol que selou o triunfo dos cearenses no primeiro jogo e a partir de então começava o seu calvário. A história a partir daí já é conhecida.

Começou a temporada seguinte como reserva de Marcelo Lomba, que retornava da Ponte Preta e foi titular apenas enquanto o Bahia fazia a transição entre Lomba e Muriel, que vinha do Inter para assumir o gol tricolor. 2016 foi um ano mais grato ao Bahia, que apesar dos fracassos na primeira metade do ano, conseguiu se reorganizar e subir de divisão. Muriel não teve seu contrato renovado e o Bahia deixava muito claro a partir dali que era hora de dar uma nova chance a Jean, agora com 21 anos.

Começou a temporada como titular, com respaldo da diretoria e comissão técnica. O problema era a sua relação com a torcida, que precisa ser justa com o goleiro mais jovem entre os titulares da série A: os primeiros seis meses de Jean como responsável pelo gol do Bahia são bons. Tecnicamente é um bom goleiro em baixo das traves, comandando a zaga e saindo com os pés. Foi seguro nos grandes jogos e passou a Copa do Nordeste sem tomar sequer um gol. Pegou até pênalti. Quanto ao começo do Brasileirão, sofreu um gol por partida e falhou (junto com Edson) naquele gol sofrido contra o Botafogo, mas fez defesas importantes em todas -bom que se ressalte: todas- as rodadas até aqui.

Possui alguns pontos a melhorar? Sim. A saída de gol assusta um pouco e a colocação do goleiro entre as traves ainda incomoda, mas é importante ressaltar que historicamente o goleiro leva um tempo a mais para amadurecer e os erros de Jean se mostram mais como parte de um processo de maturação do que desconhecimento ou incapacidade como goleiro. Arrisco a dizer que, com o nível de atuação apresentado, a torcida já cantaria o seu famoso cântico de ode aos goleiros se as traves não tivessem Jean como guardião. Até o questionável Muriel foi chamado de paredão.

Aos trancos e barrancos o jovem e talentoso goleiro segue na tentativa de conquistar o coração da torcida. Entre boas defesas e atuações, sempre com a personalidade -alguns chamarão de marra- que lhe é característica. Hoje às 20h ele vai para mais uma partida pelo tricolor, dessa vez contra o Grêmio, em partida que terá cobertura ao vivo do Resenha na Rede.

Por: Vinícius Nascimento

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 513 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e repórter do Esporte Clube Vitória.

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