Ansiedade e depressão em atletas de alto rendimento

Por: Márcio Tucano.

A depressão é uma das doenças mentais mais comuns em nível mundial – a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de pessoas afetadas pela depressão já chega a 322 milhões em todo o mundo. No Brasil, 5,8% da população sofre com a doença, o que significa mais de 11,5 milhões de pessoas, correspondendo a um aumento de 18,4% durante a última década.

Apesar de ser um tema frequentemente abordado e direcionado para a população em geral, começa a haver um crescente interesse nas questões relativas à saúde mental no desporto de alto rendimento. Cada vez mais a excelência é requisito essencial na formação do atleta – o nível de competitividade está em constante crescimento o que leva à elevadas situações de desgastes físico e mental.

Os atletas de alto rendimento estão em risco de vir a sofrer de depressão dado, não só a elevada pressão, mas também as expectativas (quer individuais, quer da equipe ou patrocinadores e/ou apoiadores). Tais momentos críticos podem desafiar a autoestima e sentido de competência do atleta, contribuindo para o aparecimento dos sintomas da depressão, como tristeza, choro fácil, retirada do contato social e das atividades habituais, alterações de apetite e de peso, fadiga e falta de concentração.

É igualmente importante referir que muitos atletas passam anos em treinamentos, para uma única oportunidade (uma ida aos Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais ou Grandes eventos).  Após esse evento específico, um atleta pode ter dificuldade em reintegrar-se numa rotina que não se foque exclusivamente no desporto e ficar deprimido se não estiver preparado para esta transição.

Vistos pela sociedade como física e mentalmente aptos, os atletas representam o pilar da saúde e bem-estar – estas projeções e expectativas neles depositadas tornam mais difícil a procura por ajuda. Assim, familiarizar e psicoeducar treinadores, atletas e todo o staff acerca desta problemática pode ser um ponto de partida essencial para identificar atletas que estejam com sintomas depressivos. É igualmente importante olhar para o atleta como pessoa antes de ser atleta, e trabalhar no sentido de eliminar os estigmas associados a doença mental, encorajando positivamente os atletas a assumirem os sintomas e procurarem o apoio necessário.

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