Vale tudo pela promoção? O MMA deve guardar respeito as Artes Marciais

Gordon Ryan e André Galvão brigaram de verdade? Foto: Youtube.
Por: Marcio Tucano

Muitos podem dizer que o MMA não é Arte Marcial, mas não podemos esquecer que é abreviação do inglês de “Artes Marciais Misturadas”, ou seja, o lutador de MMA, tem que ter a base de no mínimo duas Artes Marciais para poder fundi-las e usa-las, seja no ringue, octógono ou qualquer outra arena que represente o esporte.

Trago este assunto, pois não foi a primeira e com certeza não será a última vez que assistiremos um lutador, seja por falta de educação ou pelo famoso e desejado intuito de promover lutas, se comportar de forma vil e desrespeitosa. Comumente, o comportamento inadequado parte de ambos adversários, e as injúrias e maledicências ficam de forma trocada um contra o outro (Trash Talk). Mas, temos piores exemplos de falta de educação, quando lutadores ofendem uma equipe, uma cultura, um povo, um país.

É óbvio, que os mal educados ainda são minoria, mas estão fazendo escola. Muitos eventos que promovem as lutas até enfatizam que o cara mais polêmico, forma de rentabilidade para os organizadores. Daí, o antagonismo do que é pregado na maioria das artes marciais, que é, o respeito pelo adversário.

O PASSADO ENCONTRA O PRESENTE

No passado, muitas Artes Marciais se desenrolavam até a morte, como bem diz seu nome, Arte de Guerra, seja de mãos puras, seja com instrumentos e armas. Mas havia um ritual, um respeito. Contudo, também não é de agora que a publicidade das disputas fazem parte dos embates. Se formos acompanhar na História, num estudo rigoroso das diversas artes, haverá diversos relatos de duelos marcados.

Reprodução jornal.

Nos apegando a história recente brasileira, citarei dois nomes: Manoel dos Reis Machado, o famoso Mestre Bimba, que levantou a capoeira e deu a ela o nome de Capoeira Regional. Responsável por introduzir diversos golpes de outras Artes Marciais. Bimba saía anunciando nos jornais que desafiava qualquer lutador de qualquer arte para mostrar a força da Capoeira por ele criada.

De forma similar a Família Gracie fazia para mostrar a eficácia e o poder do Jiu-Jitsu Brasileiro, promovendo diversos desafios em jornais. Na verdade, os jornais da época promoviam os desafios. Porém, não havia o desrespeito, os impropérios e a falta de educação. É preciso que isso seja repensado, seja pelo atleta, pela equipe ou mesmo pelas entidades que promovem os eventos. Não precisamos de mais gente burra, preconceituosa e ignorante. O mundo já está lotado delas. Que possamos rever, pelo menos um pouco do legado que as Artes Marciais sempre pregou.

Como bem diz uma frase atribuída ao Judô: “O Judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta par se aperfeiçoar.”

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