

Oito clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, ao lado das federações Paulista (FPF) e Carioca (FERJ), divulgaram um manifesto conjunto na noite desta terça-feira (17). O documento expressa posição institucional em defesa da manutenção do modelo regulado de apostas esportivas e jogos on-line no país, diante da possibilidade de o Governo Federal publicar uma Medida Provisória (MP) para proibir jogos de cassino virtual.
O posicionamento foi alinhado durante reunião realizada na sede da FERJ, no Rio de Janeiro. Assinam a nota oficial os presidentes e representantes de Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, além dos dirigentes das entidades estaduais.
A preocupação central apresentada pelas agremiações reside no impacto financeiro direto que novas restrições legais causariam aos orçamentos esportivos. Estimativas do setor indicam que as empresas de apostas injetam anualmente mais de R$ 1 bilhão em patrocínios e parcerias comerciais destinadas aos clubes da elite do futebol nacional.
No manifesto intitulado “O Fim do Futebol Brasileiro”, as entidades argumentam que a limitação das operadoras afetaria também divisões inferiores, o futebol feminino e as categorias de base de equipes com menor poder arrecadatório no interior do país.
“Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento”, diz trecho da nota assinada pelos clubes.
Os signatários sustentam que o avanço da regulamentação estatal trouxe regras de fiscalização, recolhimento de impostos, mecanismos de proteção a vulneráveis e instrumentos de combate à manipulação de resultados. O grupo avalia que a proibição repentina não exterminaria a demanda por jogos, mas impulsionaria a migração dos usuários para plataformas clandestinas e sem controle governamental.
Até o momento, o Poder Executivo não oficializou o texto final de eventual Medida Provisória sobre o setor.