Chase Carey: MotoGP deve buscar caminho próprio para crescer globalmente

Ex-CEO da Liberty Media, que adquiriu a Dorna Sports, defende uma estratégia adaptada para a motovelocidade.
Por:
22/10/2026
Chase Carey, ex-CEO da Liberty Media, falando em um evento de negócios.
Foto: Reprodução/Motorsport.com - All - Matérias

Chase Carey, ex-CEO da Liberty Media, afirmou que a MotoGP não deve simplesmente copiar o modelo de sucesso da série documental “Drive to Survive” da Fórmula 1 para expandir seu reconhecimento a nível mundial. A declaração foi feita nesta quinta-feira (22 de outubro de 2026), em uma palestra no Autosport Business Exchange, em Nova York, após a recente aquisição da Dorna Sports pelo grupo.

A Liberty Media, que finalizou a compra da F1 em janeiro de 2017, adquiriu recentemente 84% das ações da Dorna Sports, agora conhecida como MotoGP Sports Entertainment Group. O objetivo da empresa é transformar a imagem da categoria, majoritariamente espanhola e italiana, e ampliar sua presença global, com foco nos Estados Unidos.

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Carey reconheceu que há elementos que as equipes da MotoGP precisarão adotar, semelhantes aos da F1, por se tratar de uma franquia global. No entanto, ele destacou as características únicas da motovelocidade, descrevendo-a como “ainda mais insana” quando se observa os pilotos.

O sucesso de “Drive to Survive” é um exemplo notável da estratégia da Liberty na F1. Lançada em 2019, dois anos após a aquisição da categoria, a série da Netflix foi creditada por apresentar a Fórmula 1 a um público novo, impulsionada pelo período de lockdown da Covid-19.

Para o ex-CEO, a chave foi dar uma plataforma maior às personalidades do esporte, permitindo que os fãs se conectassem. “O mundo digital hoje é um mundo 24/7. A experiência premium ainda é a corrida ao vivo, mas, no fim das contas, as pessoas estão se conectando com a prova, acompanhando-a, vendo clipes, vídeos sobre o que as pessoas estão fazendo, coisas que acontecem nos bastidores”, disse Carey.

Ele ressaltou a importância de alimentar esse apetite contínuo dos fãs, citando os EUA como o maior mercado do YouTube para a F1, o que demonstra a força da conexão digital. “Drive to Survive se tornou uma peça central nos esforços digitais. Muitos esforços estão acontecendo no digital, mas isso certamente é a peça central. Tem sido uma franquia incrivelmente importante e valiosa para nós”, completou.

Carey alertou que a simples replicação de modelos de sucesso raramente funciona. Ele mencionou tentativas de outras categorias, como o golfe com “Full Swing” e o tênis com “Break Point”, que buscaram emular “Drive to Survive” sem o mesmo impacto. “Normalmente, não dá simplesmente para copiar algo”, afirmou, comparando a situação ao fenômeno “American Idol” na televisão.

O ex-executivo enfatizou que a MotoGP precisa “seguir seu próprio caminho” e encontrar suas próprias oportunidades, utilizando personalidades, plataformas digitais e desenvolvendo parcerias estratégicas, como a colaboração da F1 com a Apple. “Você não pode simplesmente sair e fazer um filme da MotoGP. Essa pode não ser a oportunidade certa”, concluiu Carey.

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