Cadu Santoro explica saída de Ramos Mingo e política de contratações do Bahia

Por:
12/09/2026
Diretor de Futebol do Bahia, Cadu Santoro
TV Baêa / Reprodução

O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, concedeu entrevista coletiva na manhã deste sábado (12), no CT Evaristo de Macedo, um dia após o fim da janela de transferências do futebol brasileiro. Entre os principais assuntos, o dirigente comentou a saída do zagueiro Ramos Mingo, negociado com o América, do México, por cerca de R$ 51 milhões.

O Bahia havia contratado o argentino por aproximadamente R$ 25 milhões, em janeiro de 2025, e manteve 20% dos direitos econômicos do jogador após a nova negociação.

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“Rogério é quem ficou mais chateado”, diz diretor

Cadu Santoro admitiu que preferia a permanência do defensor, mas afirmou que a proposta mexicana atingiu um patamar considerado aceitável pelos critérios do Grupo City, controlador do clube.

“Na operação de Ramos Mingo, o meu sentimento é de que não queria perder o atleta. O Rogério [Ceni] é quem ficou mais chateado com a saída, porque, ao tirar um atleta titular, nenhum treinador fica feliz. Infelizmente, temos que tomar decisões que muitas vezes não nos deixam felizes, mas precisamos pensar na saúde financeira do clube”, afirmou o dirigente.

Clube não vai repor zagueiro nesta temporada

Apesar da saída de um titular, o Bahia decidiu não buscar reposição imediata. Segundo Cadu Santoro, a avaliação interna é de que o elenco atual tem alternativas suficientes para completar a temporada, deixando uma possível contratação para o planejamento de 2027.

“Estávamos seguros de que não faríamos uma reposição de urgência por termos qualidade no elenco atual, jogadores que podem suprir até o final do ano e fazer uma nova avaliação. Por esses motivos, tomamos a decisão de aceitar essa oferta, que mostra mais uma vez a valorização de um ativo que compramos por um valor e vendemos por um valor maior”, comentou.

Diretor relembra fases do projeto do Grupo City

Cadu Santoro também traçou um panorama da política de contratações do clube desde a chegada do Grupo City, em 2023. Segundo ele, aquele ano foi tratado internamente como “ano zero”, com foco na permanência na Série A, enquanto 2024 marcou uma janela mais agressiva de investimentos.

“Quando chegamos [Grupo City] aqui em 2023, que chamávamos de ‘ano zero’ do projeto, era um ano de manutenção de Série A. […] Em 2024, fizemos uma janela bem agressiva no sentido de trazer atletas para que a gente pudesse dar um salto, e depois, naturalmente, você vai fazendo movimentos de tentativa de melhora de elenco”, relatou.

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“O dinheiro não é infinito”, diz dirigente sobre finanças do clube

O diretor contestou a percepção de que o Bahia teria recursos ilimitados para contratações. Segundo ele, os números de 2025 colocam o clube com a 14ª maior receita e a 12ª maior folha salarial da Série A, mesmo com o time no G-8 há 59 rodadas.

“Existem algumas informações que eu enxergo como importantes, porque, infelizmente, se comunica algumas vezes que o dinheiro é infinito ou que a gente vai sair contratando independentemente do custo. Hoje o Bahia possui a 14ª receita e a 12ª folha da Série A, considerando os números de 2025, e estamos há 59 rodadas no G-8. Acho que isso mostra que estamos performando acima da receita e da folha do clube”, disse.

Cadu Santoro reconheceu que ainda existe um salto a ser dado para que o Bahia dispute regularmente as primeiras posições do campeonato, e atribuiu parte do desempenho atual ao investimento do City Football Group (CFG). “Se estamos na situação atual, também é porque o CFG investe bastante. Caso contrário, seguramente estaríamos abaixo na tabela”, afirmou.

Alejo Véliz foi a principal contratação da janela

Na janela do meio do ano, o principal investimento do Bahia foi o atacante argentino Alejo Véliz, contratado em definitivo junto ao Tottenham, com vínculo até 2031. O clube também trouxe o zagueiro Marco Moreno, o goleiro Guido Herrera e, próximo do fim da janela, acertou o empréstimo do volante argentino Lautaro López.

Entre as saídas do período estiveram Gilberto, Marcos Felipe, Iago Borduchi, Gabriel Xavier e, por fim, Ramos Mingo.

“É muito relativo o que é ser agressivo. Hoje nós temos a contratação do Alejo Véliz como a segunda ou terceira maior compra da janela do meio do ano. […] A gente vem investindo mais do que vendendo, e isso vai continuar até que, em algum momento, se equilibre naturalmente”, disse o dirigente.

Contratação de Luiz Gustavo mira formação de base

Cadu Santoro também comentou a chegada do zagueiro canhoto Luiz Gustavo, contratado com idade de sub-20 e alguma experiência no profissional, mas ainda em processo de formação. Segundo o diretor, o clube não tem, atualmente, nenhum zagueiro canhoto na geração sub-20 das categorias de base.

“Assim como Kauê Furquim ou David Martins, o Luiz Gustavo foi um jogador que contratamos não pensando exclusivamente no presente. […] Eu sei que, quando se especula o valor do atleta, se tem uma expectativa de que todos os atletas vão chegar, performar e entregar resultado. A minha função é pensar no presente e no futuro”, explicou.

Dell e Caio Suassuna disputam espaço na base

Questionado sobre jovens em diferentes estágios de desenvolvimento, Cadu Santoro comentou o caso do atacante Dell, de 18 anos, que teve participação no início do Campeonato Baiano, mas passou por oscilação na transição para o profissional — período em que Caio Suassuna, artilheiro da Seleção sub-20, ganhou espaço na equipe principal.

“O Dell é um atleta de apenas 18 anos […]. No momento em que ele oscila, o Caio Suassuna se tornou o artilheiro da Seleção sub-20, passou a vir para o profissional e jogar. Por sorte, temos dois jogadores da mesma posição, com idades similares e com futuros brilhantes. A nossa forma de trabalhar é de muita calma no desenvolvimento do atleta e não queimar etapas”, afirmou.

Critérios para renovação de jovens da base

Por fim, o diretor explicou os critérios usados pelo clube para definir a permanência de atletas próximos do fim da idade de formação, com o objetivo de evitar manter muitos jogadores sub-20 sem perspectiva de integração ao profissional.

“Quando estoura uma idade, no caso de alguns atletas, o contrato termina junto com a idade de sub-20. […] Os atletas que acreditarmos que têm o potencial de jogar no Bahia, naturalmente, renovaremos”, detalhou, citando os casos de Sidney, que já teve o contrato renovado, e Roger Gabriel, que ainda tem mais um ano de categoria sub-20 e deve permanecer no clube.