

Jackson Buguinha “O Valente” conhece o Vitória muito antes de vestir a camisa do clube. A relação começou ainda na infância, nas arquibancadas do Barradão, ao lado do avô, que foi o grande incentivador dos seus sonhos
“Eu praticamente nasci dentro do estádio”, relembra.
Criado no bairro de Pau da Lima, em Salvador, ele cresceu acompanhando os jogos do Esporte Clube Vitória e alimentando o desejo de um dia representar o time do coração dentro de campo. O plano era ser jogador de futebol. A vida, no entanto, apresentou outro caminho.
Como muitos meninos de Pau da Lima e de outros bairros da capital baiana, Buguinha passou a infância nas peladas e na rivalidade saudável das ruas. Foi nesse ambiente que surgiu o convite para conhecer o boxe. Aos 13 anos, iniciou os treinos e rapidamente percebeu que tinha encontrado algo diferente.
Vieram títulos estaduais e nacionais. Ao longo da carreira amadora, acumulou dez títulos baianos, sete brasileiros e conquistas internacionais. Representou o Brasil em competições na Rússia, Cuba, Coreia do Sul, Argentina, entre outros países. Também integrou as Forças Armadas, defendendo o país em competições militares.
Mas a motivação maior sempre esteve dentro de casa.
A perda do avô, em um momento decisivo da carreira, transformou dor em combustível. Desde então, cada conquista carrega também um significado pessoal.
Depois de consolidar o nome no amador, Buguinha decidiu migrar para o boxe profissional. A mudança trouxe novos desafios.
“No amador existe incentivo, apoio institucional. No profissional é diferente. Você precisa de estrutura, investimento, equipe, empresário. É um caminho mais difícil”, explica.
Mesmo assim, ele não recuou. Tornou-se campeão brasileiro na categoria peso-pena e passou a mirar voos maiores.
Os treinos de Buguinha acontecem na Academia Champion, sob o comando de Luiz Doréa, com acompanhamento direto também de Luiz Doréa Junior.
A rotina é puxada, com ajustes técnicos, físicos e estratégicos.
“Estou muito focado. A preparação está forte para chegar bem nas próximas lutas, afirma.
Se o sonho inicial era defender o clube como jogador, hoje ele realiza isso de outra forma. Vestir a camisa do Vitória nos ringues é motivo de orgulho.
Vestir a camisa do Vitória não é marketing. É identidade.
“Eu sempre estive na arquibancada. Sempre vibrei, chorei, comemorei. Hoje poder bater no peito e dizer que defendo essa camisa é emocionante.”
Buguinha também deseja que a torcida conheça sua trajetória. Que enxergue não apenas o atleta, mas o jovem que saiu da periferia de Salvador e encontrou no esporte uma transformação de vida.
Ele cita como exemplo o campeão olímpico Hebert Conceição, que tem forte ligação com o Esporte Clube Bahia. Para ele, quando o clube abraça o atleta, o impacto vai além do esporte.
“O esporte salva. O esporte muda vidas. Ele coloca a gente em lugares que nem imaginava conhecer.”
Graças ao boxe, Buguinha já viajou para diversos países e ampliou horizontes que pareciam distantes quando era criança em Pau da Lima.
A meta é clara: defender o título brasileiro, buscar voos continentais e, no momento certo, disputar o cinturão mundial.
E, se depender da fé e da determinação, ele já imagina o cenário.
“Eu ainda vou disputar um título mundial. E seria especial demais fazer isso dentro do Barradão.”
Do barro da arquibancada aos ringues nacionais, Buguinha carrega no peito o escudo que aprendeu a amar ainda criança. E agora, quando sobe ao ringue, não luta sozinho. Luta como torcedor que virou representante da nação rubro-negra.
