O esporte abriu a conversa, mas o debate foi muito além das quatro linhas. Mais de 100 pessoas participaram do encontro LGBT+Esporte, na Arena Real Brasil, no Shopping da Bahia, em Salvador. A iniciativa aproximou torcidas, coletivos, atletas e representantes da comunidade LGBT+ em torno de um objetivo comum: ampliar a diversidade e a inclusão no esporte.
Além disso, a ORN (Orgulho Rubro-Negro), torcida LGBT do Vitória, organizou o evento ao lado da LGBtricolor, Tietas FC e Dendê FC. Juntos, os grupos aproveitaram a noite para trocar experiências, apresentar demandas e mostrar como o esporte também pode funcionar como espaço de pertencimento e representatividade.
Histórias, desafios e propostas
Na primeira parte da programação, os coletivos apresentaram suas trajetórias e explicaram como surgiram, como mantêm suas atividades e quais desafios enfrentam no dia a dia. Em seguida, o público também ganhou voz. Pessoas que não fazem parte das organizações compartilharam experiências, levantaram questões e apresentaram sugestões para tornar o ambiente esportivo mais acolhedor para a comunidade LGBT+.
Com isso, o encontro não ficou restrito às falas dos coletivos. Pelo contrário, a participação do público ampliou o debate e colocou novas experiências no centro da discussão.
Posteriormente, os organizadores reuniram as propostas apresentadas durante o evento para compartilhar o material com os coletivos participantes. Dessa forma, a expectativa foi manter a articulação e fortalecer uma agenda permanente de inclusão no esporte baiano.
Ao mesmo tempo, a vereadora Marta Rodrigues e as deputadas Rowenna Brito e Maria Marighella acompanharam o encontro. Durante a atividade, elas ouviram diretamente as demandas apresentadas pela comunidade e pelos grupos envolvidos.
Para Jener Mendes, diretor da ORN, a presença de mais de 100 pessoas reforçou a importância da discussão.
“Mais de cem pessoas atravessaram a cidade numa terça à noite para falar de esporte. Isso já responde qualquer dúvida sobre se existe demanda. Saímos daqui com proposta na mão e com a certeza de que essa articulação não termina hoje.”
Rivalidade só no escudo
Depois do debate, a bola entrou em cena.
Para fechar a programação, os participantes disputaram baba e baleado ao mesmo tempo. Assim, torcedores de Bahia e Vitória dividiram a quadra e protagonizaram uma versão diferente do clássico BaVi.
Apesar da rivalidade entre os clubes, o clima dentro da quadra foi de integração. Enquanto as camisas separavam as torcidas, a proposta do encontro aproximava os participantes.
Por fim, o evento terminou reforçando a principal mensagem da noite: diversidade, inclusão e esporte puderam ocupar o mesmo espaço — dentro e fora das quatro linhas.
IN MEMORIAM
Priscila Pontes
Embora este relato seja publicado após a realização do evento, é imprescindível registrar o papel essencial de Priscila Pontes, uma das organizadoras fundamentais para que esta iniciativa acontecesse. Mesmo não pertencendo à comunidade LGBTQIA+, Priscila esteve sempre na linha de frente como uma aliada incansável, oferecendo seu apoio, sua força e sua dedicação à luta por respeito, diversidade e inclusão. Sua ausência foi profundamente sentida, mas seu legado de amor, acolhimento e compromisso social permanecerá vivo em cada conquista desta caminhada.
Nota de Solidariedade
Dedicamos os nossos mais profundos sentimentos a Tiago Trindade, companheiro de Priscila, assim como a toda a sua família e amigos neste momento de dor. Priscila foi uma aliada generosa cuja dedicação deixou marcas inestimáveis no coração de todos que construíram este projeto ao seu lado. Que o amor e as memórias deixadas por ela tragam conforto a todos os seus entes queridos.






