
Entre o rótulo de “bombeiro” e a busca por identidade: O que os 400 jogos de Jair Ventura dizem sobre o atual Vitória

Nesta quarta-feira, quando o árbitro apitar o início de Vitória e Bahia de Feira, Jair Ventura não estará apenas disputando três pontos no Campeonato Baiano. O treinador de 46 anos atingirá a emblemática marca de 400 jogos na carreira. No entanto, para o torcedor rubro-negro, mais importante que o número é a resposta para uma pergunta que persegue o técnico desde o sucesso no Botafogo, em 2016: Jair é um treinador de projetos a longo prazo ou um especialista em evitar desastres?
O rótulo de bombeiro: Eficiência sob pressão
A trajetória de Jair, iniciada como auxiliar no Botafogo, consolidou-o como o “homem das causas perdidas”. O histórico não mente: ele evitou quedas quase certas no próprio Botafogo, Sport, Juventude, Goiás e, mais recentemente, no Vitória em 2025. Essa capacidade de organizar defesas e estancar crises é um ativo valioso, mas também uma armadilha.
Notícias Relacionadas
Ao aceitar missões de curto prazo, Jair muitas vezes sacrificou a estética em prol do resultado. No Vitória, isso se traduz em uma identidade clara, porém limitada: uma linha de cinco defensores, compactação extrema e uma aposta quase religiosa na bola aérea. O aproveitamento de 50,8% reflete um time equilibrado, mas que ainda tropeça na própria dificuldade de criar quando precisa ser o protagonista do jogo.
>>> Siga nosso perfil no Instagram. Clique aqui!
A barreira da segunda temporada
O grande desafio de Jair Ventura no Barradão é a longevidade. A análise fria de sua carreira mostra um padrão preocupante: o treinador raramente sobrevive ao primeiro semestre do segundo ano de trabalho. Foi assim no Sport (abril), Juventude (fevereiro) e Atlético-GO (junho). Apenas no Botafogo ele completou um ciclo de dois anos.
No Vitória, ele tem em mãos um elenco robusto (40 atletas) e a confiança da diretoria após o “milagre” da permanência em 2025. Contudo, os “altos e baixos” no início deste Brasileiro, com derrota pesada para o Palmeiras e evolução contra o Flamengo, mostram que a margem de erro para quem carrega o rótulo de reativo é pequena. Para evoluir, Jair precisará provar sua própria fala: “Não se prendam ao sistema“. É necessário que o Vitória aprenda a jogar sem os cinco defensores quando o cenário exigir mais coragem.






