

O Bahia se despediu da Copa Sul-Americana 2025 após perder por 2 a 0 para o América de Cali, na noite da última segunda-feira (22), na Colômbia.
Com o empate sem gols no jogo de ida, o Esquadrão precisava apenas de uma vitória simples para avançar. No entanto, teve uma atuação abaixo do esperado e viu sua campanha internacional chegar ao fim.
A equipe baiana enfrentou dificuldades durante toda a partida, especialmente no primeiro tempo. Nesse período, o primeiro gol adversário surgiu em uma jogada marcada por erro de posicionamento e falha de comunicação entre os defensores.
O segundo gol do América de Cali veio nos acréscimos da etapa final. Apesar disso, o Bahia tentou reagir, mas não teve força ofensiva suficiente para criar chances reais.
Após a partida, o técnico Rogério Ceni concedeu entrevista coletiva e avaliou os fatores que levaram à eliminação. Ele reconheceu o erro defensivo no lance do primeiro gol e atribuiu o problema à falta de comunicação entre os atletas.
“Começa na dividida do Michel. Não houve comunicação entre o Santi [Mingo] e o Marcos [Felipe]. Foi uma falha muito mais de leitura do que técnica”, afirmou.
Além disso, Ceni comentou sobre o desempenho da equipe. Segundo ele, o Bahia não conseguiu competir com a mesma intensidade do adversário.
“Hoje não competimos da forma que eu esperava. Tivemos chances, é verdade, mas o América foi mais competitivo e eficaz”, completou o treinador.
Ceni também explicou por que Willian José não começou entre os titulares. De acordo com o técnico, o atacante recém-chegado ainda não está em condições físicas de jogar os 90 minutos.
“Ele não reunia condições físicas suficientes para jogar mais do que 30 minutos. Se estivesse 100%, talvez até começasse a partida”, explicou.
Essa declaração expõe um dos desafios enfrentados pela equipe: a preparação física e a adaptação de reforços importantes, especialmente em momentos decisivos.
Com a eliminação na Sul-Americana, o Bahia volta suas atenções para as competições nacionais. A equipe ainda disputa o Campeonato Brasileiro, a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil.
Dessa forma, a comissão técnica terá o desafio de reorganizar o elenco e recuperar a confiança do grupo. O objetivo agora é manter o foco e melhorar o desempenho, principalmente nos jogos fora de casa, onde o time tem oscilado bastante.
Na noite em que o torcedor esperava um Bahia guerreiro, competitivo e à altura do projeto ambicioso apresentado no início da temporada, o que se viu foi um time apático, sem ímpeto ofensivo e completamente distante da promessa de protagonismo continental.
A eliminação para o América de Cali, por 2 a 0, foi mais do que justa. Foi simbólica. O Bahia, mesmo com um elenco tecnicamente superior, não ofereceu real perigo à meta adversária durante os 90 minutos. A única finalização perigosa sequer foi em direção ao gol. Para um clube que investiu pesado, que se reposicionou como SAF e que vendeu à sua torcida o sonho de disputar — e brigar — na Libertadores e na Sul-Americana, o desempenho foi decepcionante.
É natural cair em uma competição internacional. O futebol não garante favoritismo em campo. Mas o que não se pode aceitar é a forma com que se caiu: sem resistência, sem espírito de decisão, sem reação. Faltou entrega, sobrou passividade.
Agora, o que resta ao Bahia em 2025 é, no mínimo, responder com resultados concretos. Vencer a Copa do Nordeste já não é uma escolha — é uma obrigação moral com a torcida. No Campeonato Brasileiro, o time precisa não apenas manter-se entre os primeiros, mas mostrar regularidade, consistência e coragem para enfrentar os grandes confrontos com outra postura.
O torcedor que lotou a Fonte Nova, que comprou a ideia do “novo Bahia”, merece mais. Merece um time competitivo de verdade, dentro e fora do país. A Sul-Americana ficou para trás, mas o peso da frustração ficará — a menos que a resposta venha rápida e firme nos gramados.
Por: Venicio Jesukewixe – jornalista / redator