

A caminhada rumo ao Hexa começou com um teste de fogo de altíssima intensidade para o coração do torcedor. Na tarde deste sábado (13), a Seleção Brasileira fez a sua estreia oficial na Copa do Mundo de 2026 ao enfrentar a seleção de Marrocos perante um público de 80.663 espectadores no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA). Sob a condução do árbitro esloveno Slavko Vincic, o que se viu em campo foi um Brasil taticamente instável e muito pressionado pela agressividade marroquina.
Desde o apito inicial, Marrocos se impôs fisicamente. Logo aos 6 minutos, Mazraoui costurou a defesa e cruzou para El Aynaoui soltar uma bomba, exigindo um bloqueio salvador de Bruno Guimarães. O Brasil demonstrava enorme nervosismo e errava saídas de bola consecutivas, foram 32 passes errados apenas na primeira etapa. Aos 20 minutos, o castigo veio: Ibañez forçou um passe na fogueira para Lucas Paquetá, que errou o domínio. Marrocos armou um contragolpe fulminante onde Brahim Díaz achou Saibari em profundidade; o atacante ganhou na velocidade e encobriu o goleiro Alisson com extrema categoria para abrir o placar.
Sentindo o golpe, a Seleção Brasileira quase viu a desvantagem ampliar em investidas de Hakimi, mas conseguiu achar forças no talento individual de seu principal astro. Aos 31 minutos, Bruno Guimarães carregou pela ala esquerda e acionou Vini Jr.; o camisa 7 cortou com estilo para o meio da área e desferiu um chute colocado irretocável na gaveta de Bono para empatar o confronto em 1 a 1. O gol equilibrou os ânimos, e o Brasil quase virou nos acréscimos em um voleio de Paquetá espalmado pelo goleiro marroquino.
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Ciente dos problemas de marcação e do risco de expulsão, o técnico Carlo Ancelotti promoveu duas alterações drásticas logo no intervalo, sacando os amarelados Casemiro e Ibañez para as entradas de Fabinho e Danilo. No entanto, os problemas de transição ofensiva persistiram. Aos 6 minutos, o Brasil teve grande chance quando Paquetá cobrou um lateral rápido que pegou a transmissão da FIFA e a zaga rival de surpresa, mas Igor Thiago parou em boa defesa de Bono.
Buscando maior profundidade e mobilidade, Ancelotti mexeu novamente na estrutura tática aos 15 minutos, retirando Lucas Paquetá e Igor Thiago para as entradas de Luiz Henrique e Matheus Cunha. O time até esboçou uma melhora e assustou em chute cruzado de Bruno Guimarães após jogada individual de Luiz Henrique. Aos 32, o Brasil construiu sua melhor trama coletiva: Matheus Cunha deu lindo lançamento para Vini Jr., que rolou na medida exata para Raphinha; o ponta, contudo, pegou muito mal na bola e isolou a chance da virada.
A reta final do confronto escancarou o desgaste físico e os erros de entrosamento da equipe canarinha. Ao todo, o Brasil encerrou os 90 minutos com um saldo alarmante de 59 passes errados, superando os 49 dos adversários e impedindo a consolidação de uma pressão organizada.
Nos acréscimos, a situação quase se transformou em tragédia desportiva. Marrocos se lançou de forma avassaladora ao ataque, aproveitando erros defensivos de posicionamento de Gabriel Magalhães e uma solada de Fabinho perto da área. Aos 53 minutos do segundo tempo, no último lance da partida, El Aynaoui soltou uma pancada de longa distância e Alisson espalmou. No rebote vivo, Amaimouni finalizou à queima-roupa, mas o goleiro brasileiro operou um milagre monumental, garantindo o placar final de 1 a 1 em solo norte-americano.