

O placar de 2 a 0 no Barradão acabou saindo barato. O que se viu durante os 90 minutos do clássico Ba-Vi 508 foi uma aula de estratégia: Rogério Ceni deu um verdadeiro nó tático em Jair Ventura e o Bahia engoliu o Vitória do início ao fim.
A escolha inicial do Rubro-Negro se provou um erro crasso. Entrar com três atacantes e escalar Wallace na vaga de Martínez esfacelou a sustentação do meio-campo. O Vitória perdeu a combatividade, ficou desorganizado e deu todo o espaço que o setor de criação do Esquadrão precisava para ditar o ritmo da partida.
Na volta do intervalo, Jair Ventura tentou corrigir a rota retirando Walace para a entrada de Martínez e substituindo Tarzia por Pochettino. A intenção de dar corpo ao setor foi correta, mas a execução seguiu ineficiente. O time continuou perdido no posicionamento e sem capacidade de reação.
Para além da questão tática, a postura assustou: faltou raça. Em um clássico desta dimensão, a passividade cobra seu preço. Erick fez uma atuação apagada, figurando como o pior jogador em campo, enquanto o ataque produziu escassas oportunidades. A chance nos pés de Renê poderia ter mudado o rumo da história, mas o desperdício selou o destino rubro-negro. Renê foi ‘fominha’ em lances que poderiam ter dado passe e gerar mais chances de gol.
Se o placar não assumiu contornos de goleada vexatória, a responsabilidade é exclusiva de Lucas Arcanjo. O arqueiro do Vitória acumulou intervenções difíceis e foi o único ponto de luz em uma tarde sombria. O Bahia vinha em um momento de oscilação, acumulando empates e atuações abaixo do esperado, mas relembrou a qualidade técnica do seu elenco quando mais precisava.
Agora, resta ao Leão juntar os cacos rapidamente. O foco precisa mudar sem espaço para lamentações, pois na quarta-feira (26) o compromisso é decisivo contra o Vasco, em São Januário, pelas quartas de final da Copa do Brasil.