domingo, 1 de novembro de 2026
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Jack Miller critica GP do Catar e revela que maioria dos pilotos não quer correr

Piloto da Pramac aponta que 19 de 22 atletas se opõem à corrida em Losail devido à instabilidade no Oriente Médio

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Jack Miller em sua moto de MotoGP durante uma corrida
Foto: Reprodução/Motorsport.com - All - Matérias

Jack Miller, piloto da Pramac na MotoGP, manifestou-se contra a realização do Grande Prêmio do Catar, agendado para 6 a 8 de novembro em Losail. Ele afirmou que a maioria dos competidores, cerca de 19 dos 22 pilotos do grid, não deseja participar da etapa devido aos riscos de segurança associados ao conflito em andamento na região do Oriente Médio. A categoria, no entanto, decidiu manter o evento.

Nos últimos dez dias, a MotoGP promoveu uma série de reuniões com os pilotos, que expressaram uma posição unânime em relação à corrida. Apesar da clara oposição dos atletas, a organização da categoria optou por prosseguir com a etapa, alegando ter obtido garantias de segurança para o paddock.

Miller, que atua pela equipe Pramac, foi um dos poucos a se manifestar publicamente, destacando seu desconforto com a viagem ao Catar sob as atuais circunstâncias geopolíticas. "Não quero ir. Assim como todo mundo. Somos 19 que não queremos ir para lá", declarou o piloto. "Não acho que devemos correr nessas condições. Deixamos nossa opinião bem clara sobre isso."

O australiano enfatizou a preocupação não apenas com os pilotos, mas com todos os envolvidos no campeonato. "Se você conversar com 50% do paddock, ninguém quer ir. Não entendo por que precisamos ir", disse. Ele reconheceu a segurança do Catar em si, mas apontou as "áreas ao redor" como o problema, citando a incerteza para sediar um evento global. "Não estamos escondendo o fato de que corremos às 10h55. Não estamos escondendo nosso local nem o horário do dia em que estaremos nesse local. Se alguém quiser fazer disso um exemplo, que faça o que quiser…"

Miller reiterou sua posição pessoal de não querer participar: "Na minha cabeça, ainda não vou." Contudo, o piloto não irá correr em Losail, já que a Yamaha decidiu não participar do GP do Catar por questões de política interna da marca japonesa.

Os pilotos têm buscado garantias da MotoGP, como um plano de evacuação para caso a situação se agrave, além de seguro de vida, assistência médica e repatriação. Miller ressaltou a importância de alguém assumir a responsabilidade: "O mais importante para nós, como pilotos, é a responsabilidade. Alguém tem que ser responsável."

Ele distinguiu a responsabilidade do seguro. "Se vocês querem que a gente vá para lá, assumam a responsabilidade. Não acho que seja um pedido irracional", afirmou. O piloto mencionou que o seguro viria do Estado do Catar, o que seria um incentivo, mas questionou: "Mas isso é depois do fato. Você acredita que é seguro estarmos lá? Assuma a responsabilidade."

Sanções e a retirada da Yamaha

A MotoGP teria ameaçado aplicar sanções esportivas e financeiras aos pilotos que se ausentassem da etapa de Doha. Essas punições poderiam incluir a proibição de participar das duas últimas corridas do campeonato.

"Eles podem nos atacar por qualquer lado. Tanto financeiramente quanto no aspecto esportivo, com nossas licenças e assim por diante", comentou Miller. Ele expressou a difícil posição de não querer prejudicar sua equipe ou o chefe de equipe, Paolo Campinoti, mas, ao mesmo tempo, não se sentir à vontade para competir.

O australiano concluiu que os pilotos são "apenas um número nesse jogo", apesar de a maioria, cerca de 19 ou 20, estar decidida a não ir.

Poucas horas após as declarações de Miller, a equipe oficial da Yamaha confirmou sua decisão de se retirar do Grande Prêmio do Catar.

A situação coloca em evidência a tensão entre a segurança dos atletas e a manutenção do calendário da MotoGP em regiões de instabilidade geopolítica, aguardando-se os próximos desdobramentos sobre a participação dos pilotos e equipes na controversa etapa de Losail.