

Os bastidores políticos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entraram em ebulição paralela às disputas nos gramados norte-americanos. Francisco Schertel Ferreira Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, realizou uma série de ligações telefônicas nesta terça-feira para diversos presidentes de federações estaduais pelo país. O movimento foi interpretado no meio esportivo como um mapeamento de alianças e um termômetro para medir o tamanho da crise que cerca o atual presidente da entidade máxima do futebol nacional, Samir Xaud.
A investida ocorre imediatamente após as revelações feitas pelo Portal LeoDias, que acusou Xaud de utilizar recursos financeiros e a estrutura logística da CBF para arcar com despesas de viagens internacionais de acompanhantes particulares — incluindo a empresária Camila Andrade, em Nova York, e a influenciadora Tata Barcellos, em Doha. De acordo com uma publicação do Portal Lance, o grupo de Brasília, liderado pelos Mendes, possui imensa influência na confederação e teve papel decisivo na engenharia política que elegeu Xaud como candidato único em maio do ano passado. Francisco Mendes, inclusive, atuou diretamente nas negociações recentes junto aos clubes para a criação de uma liga unificada de futebol.
Embora caciques do alto escalão do futebol brasileiro apontem que não há um atrito escancarado ou declarado entre Samir Xaud e seus padrinhos políticos, a movimentação de Francisco Mendes é vista como o início de uma costura para a tomada da cadeira presidencial a médio prazo. Contudo, o tom adotado nas entrelinhas das conversas com os barões das federações locais foi de cautela e resguardo institucional.
O consenso técnico e político, mesmo entre a oposição interna, é de que abrir um processo formal de destituição ou alimentar publicamente a polêmica em plena disputa da Copa do Mundo de 2026 seria um erro estratégico. A avaliação de bastidor indica que as denúncias já enfraquecem a figura pública de Xaud por si sós.
— Parece ser um movimento de fora para dentro. Se tem envolvimento de alguém interno, não sei dizer. Mas o ambiente institucional é bom. Não faz sentido provocar um processo de fritura do presidente justamente na Copa do Mundo. A questão da liga e do Fair Play financeiro incomoda muita gente — ponderou um dirigente de alto escalão consultado pela reportagem.
Interlocutores ligados à família Mendes confirmaram que já faziam circular informações de desgaste contra Xaud há algum tempo, mas asseguraram de forma categórica que os vazamentos dos casos extraconjugais e das notas fiscais dos hotéis de luxo não partiram do grupo do Distrito Federal. Um dos presidentes de federação que recebeu o telefonema confirmou o teor da conversa e resumiu o cenário de forma enigmática: “A situação não é tão simples assim, ainda tem muita água para rolar”.
>>> Siga nosso perfil no Instagram. Clique aqui!
Enquanto o tabuleiro político se mexe no Brasil, a delegação da Seleção Brasileira nos Estados Unidos tenta manter o foco sob o comando de Carlo Ancelotti. O assunto foi comentado de forma reservada entre jogadores e comissão técnica no hotel de concentração, mas os relatos mais recentes apontam para um movimento de blindagem ao redor de Samir Xaud.
Membros do estafe e aliados do presidente que acompanham a delegação minimizam o impacto administrativo das denúncias. A leitura interna de parte do grupo é de que o mandatário enfrenta uma crise exclusivamente no âmbito de seu casamento de 20 anos, e não uma falha de conformidade ou integridade em sua gestão financeira. Um importante aliado de Xaud sintetizou a reação dos bastidores da delegação com uma declaração polêmica direcionada a interlocutores:
“O líder do time fugiu da concentração para pegar gente e foi flagrado. O time não vai ficar contra ele.”
O futuro político de Samir Xaud na presidência da CBF dependerá diretamente do desempenho esportivo da Seleção em campo. Caso o Brasil sofra uma eliminação precoce na Copa do Mundo, a temperatura política deve subir de forma imediata, acelerando os planos de transição do grupo de Brasília. Por outro lado, uma campanha vitoriosa rumo ao título pode sepultar de vez os planos da oposição.