

O anúncio oficial da Medida Provisória (MP) do Governo Federal que proíbe a operação de bancas de apostas esportivas e cassinos virtuais no Brasil acendeu um sinal de alerta nos departamentos financeiros dos principais clubes do futebol brasileiro. Um levantamento técnico indica que a proibição coloca em risco direto mais de R$ 1,1 bilhão em patrocínios máster e secundários negociados para a temporada 2026.
Atualmente, dos 20 integrantes da Série A do Campeonato Brasileiro, 14 mantêm acordos contratuais de patrocínio com empresas do setor.
Apesar do montante bilionário movimentado pelo setor no país, a análise das receitas brutas demonstra que nenhum contrato com casa de aposta ultrapassa 13% da receita anual das agremiações. Na média geral dos participantes da Série A, os aportes das bancas digitais correspondem a aproximadamente 7% do orçamento total.
No futebol baiano, o Esporte Clube Vitória tem contrato registrado com a 7K (R$ 16 milhões fixos por ano no orçamento de 2025, podendo alcançar R$ 20 milhões em 2026 com metas), o que representa 6,1% do seu orçamento de R$ 259 milhões. Já o Esporte Clube Bahia, que contava com contrato de R$ 40 milhões (7,1% da sua receita bruta de R$ 562,2 milhões em 2025), rescindiu o vínculo com a antiga patrocinadora máster (Viva Sorte Bet), figurando na lista de clubes sem patrocínio do setor em 2026.
| Clube | Empresa | Fatia do Orçamento | Receita Bruta Total (2025) | Valor Fixo da Bet |
| Flamengo | Betano | 12,85% | R$ 2,089 bilhões | R$ 268,5 milhões |
| Corinthians | Esportes da Sorte | 10,6% | R$ 971,1 milhões | R$ 103,0 milhões |
| São Paulo | Superbet | 10,5% | R$ 1,074 bilhão | R$ 113,0 milhões |
| Atlético-MG | H2bet | 7,8% | R$ 768,0 milhões | R$ 60,0 milhões |
| Santos | Blaze/7K* | 7,7% | R$ 678,5 milhões | R$ 52,5 milhões |
| Bahia | Viva Sorte Bet** | 7,1% | R$ 562,2 milhões | R$ 40,0 milhões |
| Vasco | Betfair* | 6,8% | R$ 683,0 milhões | R$ 47,0 milhões |
| Grêmio | Alfa** | 6,7% | R$ 736,8 milhões | R$ 50,0 milhões |
| Internacional | Alfa** | 6,4% | R$ 775,7 milhões | R$ 50,0 milhões |
| Vitória | 7K | 6,1% | R$ 259,0 milhões | R$ 16,0 milhões |
| Cruzeiro | Betfair* | 5,9% | R$ 677,2 milhões | R$ 40,0 milhões |
| Palmeiras | Sportingbet | 5,6% | R$ 1,783 bilhão | R$ 100,0 milhões |
| Fluminense | Superbet | 5,0% | R$ 1,022 bilhão | R$ 52,0 milhões |
| Botafogo | Vbet | 3,8% | R$ 1,440 bilhão | R$ 55,0 milhões |
| Remo | ObaBet* | 3,6% | R$ 82,9 milhões | R$ 3,0 milhões |
*Trocaram de patrocínio em 2026: Santos (Novibet), Vasco (Sportingbet), Cruzeiro (Betnacional), Remo (VaideBet).
**Cancelaram o patrocínio em 2026.
O dono do maior contrato da história do futebol nacional é o Flamengo, cujo acerto com a Betano paga R$ 268,5 milhões anuais (12,85% do faturamento de R$ 2,08 bilhões). Na sequência das maiores fatias orçamentárias figuram Corinthians (10,6%) e São Paulo (10,5%). Para conter o impacto nas contas das agremiações com a vigência imediata da proibição, o Palácio do Planalto avalia a concessão de linhas de crédito facilitadas com juros baixos e a repactuação de dívidas fiscais.